Embora seja popularmente chamada de Superlua, a Lua Cheia visível neste sábado (3) recebe, na astronomia, o nome correto de Lua Cheia de Perigeu. A denominação se deve ao fato de o satélite natural estar em um dos pontos mais próximos da Terra em sua órbita, o perigeu, termo formado a partir de peri (próximo) e geo (Terra).
Nessa condição, a Lua pode parecer cerca de 6% maior e 13% mais brilhante do que uma Lua Cheia comum. No entanto, segundo especialistas, o astro não muda de tamanho: o que ocorre é apenas uma variação na distância em relação ao planeta.
De acordo com o astrônomo Rodolfo Langhi, coordenador do Observatório de Astronomia da Unesp, a Lua Cheia deste sábado ocorre às 7h03 (horário de Brasília). O diâmetro aparente será de 32,92 minutos de arco, considerado relativamente grande quando comparado à Microlua prevista para 31 de maio, que terá cerca de 29,42 minutos de arco.
No início de janeiro, a chamada Superlua esteve a aproximadamente 362.312 km da Terra. Já a menor Lua Cheia do ano deve ocorrer a uma distância de cerca de 406.135 km. Mesmo assim, Langhi ressalta que a diferença é muito sutil e dificilmente perceptível a olho nu.
Para ilustrar, o astrônomo compara o fenômeno a uma bola que se aproxima ou se afasta dos olhos: quanto mais perto, maior ela parece, ainda que o tamanho real permaneça o mesmo. No caso da Lua, porém, essa variação é pequena demais para causar um impacto visual significativo para a maioria das pessoas.
Langhi destaca ainda que o termo “Superlua” pode gerar expectativas exageradas. Segundo ele, apenas observadores atentos e acostumados a acompanhar o céu com frequência conseguem notar alguma diferença, e mesmo assim, de forma pouco evidente.
Avaliação semelhante faz o físico e astrônomo João Batista Canalle, professor da UERJ e coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA). Para ele, a Lua Cheia deste sábado não apresenta nenhuma característica especial do ponto de vista científico. Trata-se apenas de uma coincidência orbital, sem relevância física.
Canalle explica que, assim como a Terra fica alguns milhões de quilômetros mais próxima do Sol em determinados períodos do ano sem que o astro pareça maior no céu, o mesmo acontece com a Lua. Mesmo no perigeu ou no apogeu, ponto mais distante da Terra, quando ocorre a chamada Microlua, não há mudança perceptível no tamanho do satélite natural.
Segundo o especialista, tanto os termos “Superlua” quanto “Microlua” são enganosos, pois a Lua continua sendo visualmente a mesma. A variação de distância é pequena diante da média de quase 400 mil quilômetros que separam a Lua da Terra, o que torna o fenômeno irrelevante do ponto de vista astronômico.
